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Críticas e mal entendidos sobre agricultura orgânica - Parte 1

nutrição

Volta e meia alguém levanta alguma bandeira contra os alimentos orgânicos. Que eles, por exemplo, têm maior risco de contaminação por bactérias, que teriam potencializadas substâncias que provocam alergias, que não há diferença entre alimentos orgânicos e convencionais.

 
Nossa nutricionista, dra. Elaine Azevedo, com base em dados da Ifoam, comenta, nessa série de artigos sob esse título, os argumentos contrários aos orgânicos e os contra-argumentos, que derrubam várias inverdades a respeito do assunto.
 
 
Mal entendido 1: Resíduos de agrotóxicos em alimentos convencionais seguem padrões de segurança e estão dentro dos limites de segurança. 
Contra-argumentos: a pesquisa brasileira da Anvisa (Para 2001-2009) mostra que, infelizmente, isso não acontece com nossos vegetais. Entre no site http://www.anvisa.gov.br/toxicologia/residuos/index.htm e veja os resultados no País. 
 
Mal entendido 2: Não há evidência consistente de diferenças entre alimentos orgânicos e convencionais 
Contra-argumentos: Alimentos orgânicos têm menores níveis de agrotóxicos, drogas veterinárias e teor de nitrato. Além disso, têm maior teor de antioxidantes, fitoquímicos, minerais e algumas vitaminas. Quanto ao teor de carboidratos, proteínas e gorduras, eles não diferem muito, mas se acredita que os orgânicos têm valor nutricional mais equilibrado (e não maior). Alimentos orgânicos de origem animal têm melhor qualidade de gordura e menos teor de ácidos graxos saturados. Os processados não têm gordura hidrogenada, nem aditivos químicos sintéticos e não são irradiados. Por isso são, sem dúvida, mais saudáveis.
 
Mal entendido 3: Grupos de empresários orgânicos divulgam informações sobre o perigo dos alimentos convencionais para aumentar seu lucro e espaço de mercado. 
Contra-argumentos: Na verdade, a maioria das comunicações sobre os benefícios dos alimentos orgânicos – que são cada vez mais conhecidos – é divulgada pelos consumidores, pela mídia, por associações e organizações não governamentais de incentivo à agricultura orgânica, e por profissionais da saúde que não têm interesse comercial no setor. As grandes empresas que têm condições de assumir os altos custos do marketing dos orgânicos não se interessam por esse setor, pois também produzem alimentos convencionais que ainda mantêm a maior parte de seus lucros.
 
Mal entendido 4: A agricultura orgânica aumenta o risco de contaminação alimentar. Exemplos: alimentos orgânicos contêm mais bactérias como “E. coli” porque utilizam adubo de origem animal, e micotoxinas por causa da falta de agrotóxicos no cultivo.
Contra-argumentos: Os padrões orgânicos de utilização de esterco seguem rígidas recomendações: ou o esterco deve ser preparado antes como composto e sofre degradação térmica, ou deve ser aplicado somente após 90 dias de coletado. Dessa forma, não existe mais risco de contaminação patogênica entre orgânicos, que devem ser corretamente higienizados antes de ser consumidos, como qualquer outro vegetal, seja ele orgânico ou convencional. Mas é bom lembrar que a agricultura convencional utiliza toneladas de esterco de vaca e de galinha in natura, sem nenhum tipo de processamento ou regras para utilização. A “E. coli” é encontrada em todo lugar e as práticas de higienização são necessárias para prever qualquer tipo de contaminação, em qualquer tipo de alimento. A aplicação de composto não está entre a maior causa de contaminação de “E. coli” nos seres humanos, que, segundo a US Centers for Disease Control, ocorre por consumo de carne infectada durante o abate. Além disso, em pesquisa realizada pela FAO, descobriu-se que vacas soltas, tratadas a pasto ou feno (como no caso dos animais orgânicos) produzem menos “E. coli” no seu material fecal do que os animais confinados tratados com cereais. Quanto às micotoxinas, a agricultura orgânica não usa fungicidas, mas apresenta outras vantagens que previnem a contaminação dos alimentos por micotoxinas e reduzem a concentração de fungos, como plantas com células e tecidos mais estáveis e resistentes a fungos; esquemas de rotação de culturas e manejo animal mais saudável. A FAO também publicou estudo que demonstra que níveis menores de micotoxinas são encontrados em leites de origem orgânica quando comparadas com leites de origem convencional. 
 
Mal entendido 5: Muitos alimentos naturais contêm substâncias alergênicas que têm impacto sobre a saúde. A transgenia pode ajudar a minimizar tais efeitos. 
Contra-argumentos: Existem realmente agentes naturais nos alimentos que podem ser tóxicos, como os glicoalcalóides nas batatas, o ácido cianídrico em frutas como ameixa, damasco, maçã e pêssego, e os glicosinolatos no espinafre e nas couves. Mas tudo é uma questão de dose, modo de preparo e sensibilidades individuais. Além disso, ressalta-se que tais substâncias se encontram nos alimentos orgânicos e convencionais e não há estudo que mostre que as substâncias tóxicas naturais são mais potentes nos orgânicos. A transgenia poderia ser um processo para amenizar tais substâncias, mas a intoxicação rara que tais substâncias causam nos seres humanos são bem menos problemáticas e preocupantes do que os efeitos ainda não delineados dos alimentos transgênicos. E, ao tentar solucionar problemas de alergia, a transgenia acaba produzindo novos alergênicos, como no caso das intoxicações com o suplememto alimentar transgênico L-triptofano e com o milho StarLink, com o gene contendo a toxina Bt (Bacillus thuringiensis). Isso sem falar dos problemas sociais, ambientais e éticos das sementes transgênicas, liberadas no Brasil sem rotulagem, infringindo normas básicas de biossegurança. 
 
Mal entendido 6: Alguns pesticidas “verdes” ou “orgânicos” podem causar danos à saúde e são usados em grandes doses. Por isso não há razão para confiar nos alimentos orgânicos. 
Contra-argumentos: Com certeza, pesticidas naturais (e também adubos orgânicos) podem causar danos se forem usados de forma inconsequente, em altas doses, sem respeito aos prazos de carência. Mas uma agricultura orgânica séria e comprometida deve buscar seguir princípios de segurança e equilíbrio no uso de tais substâncias. Outra questão importante é que uma propriedade orgânica, à medida que consegue equilibrar o ecossistema ao seu redor com um manejo correto, depende cada vez menos de fertilizantes e pesticidas naturais. Com o tempo, o solo se enriquece, o policultivo e a rotação de culturas se estabelecem, a biodiversidade aumenta e as espécies nativas se proliferam, atingindo um estado de equilíbrio que prescinde de insumos externos para produzir alimentos. Ou seja, a agricultura orgânica usa pesticidas no início da produção, mas a proposta é, a médio e longo prazos, promover o equilíbrio do agroecossistema e evitar o uso de pesticidas. Isso vale também para a produção animal. Uma produção orgânica de qualidade não deve almejar granjas orgânicas com uso de probióticos, fitoterapia e rações orgânicas, mas deve criar animais livres e saudáveis, capazes de procriar, de se alimentar e de se comportar de acordo com sua espécie. É como o ser humano que chega doente e desequilibrado ao médico e precisa do medicamento. Mas se ele passa a ter uma vida equilibrada, cuida da alimentação, do sono, do ritmo, do exercício físico e das suas emoções, ele se torna saudável e adoece raramente, evitando o uso de drogas – naturais ou sintéticas. É este “estado de saúde” e independência que uma propriedade orgânica deve almejar e alcançar. 
 
 
Fonte: Ifoam (International Federation of Organic Agriculture Movements), com comentários da nutricionista dra. Elaine Azevedo.
 
 
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