



O Portal Orgânico entrevista Anderson Fornazari, sócio da SIM Alimentos, empresa que representa no Brasil, as marcas italianas La Finestra Sul Cielo e Isola Bio, fabricantes de produtos orgânicos, sem leite, sem adição de açúcar, sem gordura vegetal hidrogenada e, boa parte, também sem glúten.
Explique o diferencial de sua empresa no mercado de alimentos e bebidas.
O diferencial da SIM Alimentos é trabalhar com produtos realmente saudáveis, não só no discurso. Nossos produtos não usam "maquiagem" pra torná-los mais vistosos, cheirosos ou saborosos. Além de orgânico, o que atesta o compromisso com a saúde do consumidor e do planeta, eles são livres de alguns componentes alergênicos, como o leite e o glúten, e também isentos de substâncias sabidamente nocivas a saúde, como o açúcar e a gordura vegetal hidrogenada. Pra se ter uma idéia, a La Finestra Sul Cielo, uma das marcas que representamos, começou em 1978 como um centro de estudos sobre alimentação e hábitos saudáveis, só em 1984 (seis anos depois) é que ela se tornou uma fabricante/distribuidora.
Vocês possuem uma diversidade de produtos orgânicos sem lactose e sem açúcar, que não é vista no mercado hoje em dia. Isso reflete um mercado voltado para novas individualidades bioquímicas?
Certamente. Nunca se falou tanto em intolerâncias e alergias alimentares como hoje. É sabido, inclusive que os maus hábitos alimentares cultivados nos últimos cinqüenta anos, somado a alta exposição aos agrotóxicos, são os responsáveis por tantas doenças, inclusive as alergênicas. Na Europa em especial, esse conceito é mais difundido. Por aqui, estamos ainda "engatinhando".
Qual a expectativa do mercado para este diferencial, nos próximos anos?
Ainda que essa percepção seja bem pequena, as pessoas têm começado a encarar a alimentação de forma diferente. Claro que o ato de comer sempre será associado ao prazer, mas é fundamental que as pessoas lembrem que quando ingerem um alimento estão se abastecendo bioquimicamente, e que essa escolha determina em grande parte como o nosso corpo vai responder. O mercado tem acompanhado essa mudança de comportamento do consumidor e a tendência é de que ele continue crescendo, mantendo-se inclusive imune a essa crise econômica que assola o mundo.
Você acha que o consumidor brasileiro ainda é carente em informações sobre produtos orgânicos, isentos de lactose e isentos de glúten?
Muito. O orgânico ainda é um grande mito no Brasil. Para muitos, orgânico é alimento natureba, sem gosto e caro. Poucos sabem que não há nenhuma novidade no orgânico, ele é simplesmente um alimento limpo, puro, como os que eram consumidos pelos nossos antepassados. E que custam mais, por que entregam mais e o custo de produção é mais alto. Quanto aos isentos de lactose e glúten, a falta de informação é ainda maior. Só depois de manifestações alérgicas intensas a esses componentes é que as pessoas vão buscar informações.
Porque a indústria brasileira ainda não investe em produtos similares? O que faz países como a Itália investir nestes diferenciais?
Em se tratando de alimentos sem glúten e sem lactose, a indústria brasileira tem investindo relativamente bem. Quase que semanalmente vejo novos produtos sendo lançados com essas características. Com relação ao orgânico, não. A demanda no Brasil ainda não atingiu uma escala atrativa para grande indústria, ao contrário dos países europeus. Por outro lado, a indústria aqui também não tem interesse de que esse mercado se desenvolva. Em grande parte, por que o modo orgânico de produção tem custos e perdas maiores e, portanto, não promove lucros tão exorbitantes como os que a indústria está habituada. Por isso, no Brasil, o máximo que a indústria faz é travestir seus produtos de saudáveis, aproveitando-se da desinformação.
Ainda é um problema formular pães e biscoitos saborosos isentos de lactose e glúten?
Isentos de glúten não mais, prova disso é que há um número crescente de ofertas. Sem lactose é bem mais complicado. Exige uma tecnologia e um tempo de desenvolvimento muito maior.
Vovê acha que o crescente número de consumidores conscientes sobre suas necessidades e restrições alimentares é devido ao aumento de nutricionistas funcionais?
Também. Junto a isso, as pessoas têm se interessado mais pelo tema, que tem também ocupado mais espaço na mídia.
Os produtos da SIM podem ser associados aos alimentos funcionais?
A definição de funcionais é ampla, mas à medida que nossos produtos estimulam algumas funções fisiológicas, como melhor digestão, posso dizer com segurança que eles são sim funcionais.
Os restaurantes já estão consumindo seus produtos?
Este setor, por incrível que pareça, é o último a absorver as novidades, com raríssimas exceções, como o Le Majue Bistrô em Sâo Paulo, que utiliza alguns produtos de ponta em suas receitas. Enquanto o consumidor não exigir que o restaurante ofereça a ele receitas funcionais ou orgânicas, ele vai ficar carente deste tipo de produto e serviço.
O que é e quais os benefícios de massas a base de espirulina e kamut?
A espirulina é uma alga riquíssima em proteínas (até 70%), aminoácidos essenciais, ácidos graxos e etc. O Kamut é um trigo antigo, recém-descoberto no Egito, dentro de um sarcófago. É conhecido como o trigo virgem, já que é o único que não sofreu cruzamentos com outras espécies. Só é cultivado orgânicamente, contém 40% mais proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais que as variedades de trigo comuns. De sabor muito agradável, possibilita uma digestão muito fácil e por vezes pessoas que são alérgicas ao trigo reagem bem ao Kamut. No Brasil, comercializamos a Bebida de Kamut, massas e o grão pré-cozido em lata (s/ chumbo).
O mercado ainda é carente em receituários sem lactose, sem glúten e açúcar?
A nutrição funcional tem se destacado bastante, muito mais pelos resultados que têm conseguido do que pelo "glamour" que cerca essa área. Por isso, o número de receituários, embora ainda pequeno, tem crescido consideravelmente.
Como você encara o mercado atual repleto de produtos a base de soja? Isso pode ser uma dificuldade para os produtos a base de arroz? Há alguma vantagem em optar por produtos a base de arroz e não de soja?
A soja é um alimento de excelente qualidade nutricional, porém, há muita soja transgênica no mercado, além disso, é crescente o número de pessoas que desenvolvem alergia a esse grão e, ecologicamente, seu consumo não é muito indicado, já que boa parte do desmatamento da Amazônia é causado por novos barões da soja. No entanto é um mercado em expansão e nós da SIM pegamos carona no crescimento dessa categoria, trazendo pro Brasil outras opções de Bebidas de Cereais, como as de arroz, de aveia, de trigo Kamut, etc, com um nível de qualidade superior, já que são bebidas orgânicas, de altíssimo valor nutritivo e não-alergênicas.
Um produto diferenciado é o amaranto. O mercado ainda desconhece?
Sim, desconhece. Mas como ele tem qualidade e origem muito similar a Quinua, creio que em breve teremos uma grande demanda por esse grão.
Qual a vantagem do amaranto?
Ele é um alimento completo. Nativo dos Andes, como a Quinua, é riquíssimo em proteínas, minerais, vitaminas, fibras e tem grande capacidade de redução do colesterol ruim.
Como você encara um produto de origem orgânica e que se apresente em embalagem Tetrapack? Isso não seria uma incoerência?
Não. Como se sabe, orgânicos não podem receber conservantes químicos. As marcas que representamos - La Finestra Sul Cielo e a Isola Bio, geralmente utilizam sal marinho como conservante, no entanto, ele não é suficiente para que tenhamos um produto de validade longa, especialmente as bebidas de cereais, por isso, vêm em embalagem Tetrapack. Hoje, esse tipo de embalagem é reciclada com facilidade, inclusive supermercados como o Pão de Açúcar, são pontos de coleta para reciclagem desse material. O mito de que ela é uma embalagem antiecológica é coisa do passado. Todos os catálogos da nossa marca são feitos com Tetrapack reciclados, por exemplo.













