


Introdução
Algumas das mais cruciais perguntas a respeito dos efeitos da engenharia genética (EG) e dos organismos geneticamente engenheirados (OGE) sobre a saúde foram apresentadas a mais de vinte anos . A maioria delas ainda não foram respondidas, ou tem respostas insatisfatórias.
Como Mayer e Stirling disseram, nós acreditamos que "no final é freqüente o caso em que aqueles que escolheram fazer as perguntas, encontram as respostas". Será que outros vinte anos terão que passar antes que a sociedade compreenda a necessidade urgente de realizar-se pesquisa de risco e ameaça, de maneira independente, financiada com recursos genuinamente públicos?
O momento para tal investimento é agora, de modo que uma nova cultura científica baseada em hipóteses calcadas no Principio da Precaução (PP) possa descobrir outras perguntas sobre a segurança, possivelmente ainda mais importantes.
No presente artigo vamos ater-nos a ameaça à saúde relacionada com as plantas geneticamente engenheiradas usadas para a produção de ração, com algumas notas breves sobre as vacinas geneticamente engenheiradas e também com as novas nano-biotecnologias de RNAi. Nosso foco é este, não porque não reconheçamos a fenomenal ameaça indireta a saúde publica colocada pelos temas social, cultural, ético e econômico ou as complexidades apresentadas nos ambientes legal e de regulamentação, mas por razões de espaço.
No contexto específico da avaliação de alimentos ou de rações, uma ameaça, ou a condição para tal, pode ser definida como um agente biológico, químico ou físico contido em um alimento com potencial para causar um efeito adverso para a saúde. As ameaças hipotéticas dos alimentos GE, isto é, aquelas ameaças que até o momento se concretizaram, estão em algumas poucas categorias genéricas.
Primeiro, existem aquelas ameaças que estão relacionadas com a integração imprecisa e aleatória dos transgenes no genoma da planta recebedora, a incerteza relacionada com os efeitos diretos e indiretos dos polipeptídios produzidos pelo transgene, ou a incerteza relacionada aos tipos e circunstâncias que promovam a absorção e a instalação do DNA exógeno no trato gastro-intestinal dos mamíferos . A segunda categoria é aquela que pode vir da produção proposital de ameaças potenciais tais como os alergênicos ou produtos farmacêuticos poderosos.
Um número de preocupações científicas surgiu em conexão com a saúde pública e animal.
Nas seções que se seguem nós discutiremos, com algum detalhe, algumas delas. Outras foram discutidas extensa e recentemente em excelentes revisões .
Nossa contribuição esta baseada na "ecologia do gene", um novo campo científico, transdiciplinar com a intenção de prover um conhecimento holístico baseado no Principio da Precaução.
Algumas das preocupações que apontamos serão também relevantes para avaliação ambiental de risco dos OGEs devido ao fato que os processos discutidos podem ter lugar em um ecossistema qualquer do mesmo modo que em um ecossistema que inclua em sua escala os seres humanos.
Nós sabemos se qualquer alimento ou ração GE é seguro para consumo?
Para um produto complexo como são os alimentos e rações, uma abordagem reducionista que analise componentes individuais in vitro é insatisfatória, e não pode esclarecer temas importantes de segurança. Apesar das necessidades óbvias, poucos trabalhos propondo reconhecer os efeitos dos ácidos nucléicos GE ou alimento/ração GE em consumidores animais ou humanos, tem sido publicados em journals . Existe um consenso, segundo o qual, os efeitos observados em alguns trabalhos publicados devem ser experimentalmente repetidos. Até o presente momento, isto não tem sido feito.
A maioria dos estudos com arraçoamento animal realizados até o momento foram delineados exclusivamente para demonstrar diferenças nos sistemas de criação entre os OGE e seus similares não geneticamente modificados. Os estudos delineados para revelar efeitos psicológicos ou patológicos são muito poucos, e eles demonstram uma tendência preocupante: os estudos realizados pela industria não encontram problemas, enquanto que estudos de grupos de pesquisa independente seguidamente revelam efeitos que deveriam merecer imediata repetição, confirmação e análise de sua extensão. Tais repetições de estudos não tem sido realizadas. Há dois fatores principais contabilizados para esta situação: A inexistência de fundos para a pesquisa independente, e a relutância das indústrias produtoras em entregar material GE para análise .
Podemos basear-nos no fornecimento das seqüências de DNA transgênico por parte das indústrias produtoras de alimentos/rações GE?
Se as seqüências de DNA transgênico apresentadas nas notificações diferem daquelas seqüências inseridas encontradas em PGEs, a avaliação de risco feita a priori da aprovação das PGEs para comercialização, não necessariamente apresentará os riscos potenciais associados com as PGEs.
Os eventos transgênicos mais intensamente estudados são:
milho transgênico Bt, Mon810
milho transgênico Bt e glufosinato, Bt176
milho transgênico glifosato, GA21
milho transgênico glufosinato T25 (Liberty Link)
soja transgênica glifosato, GTS 40-3-2
Mesmo entre os mais intensamente estudados e algumas das PGEs comercialmente mais antigas, trabalhos independentes recentes revelaram que ocorrem rearranjamentos nas inserções transgênicas e que a natureza dos rearranjamentos variam. Foram relatadas deleções (Mon810, GA21, Bt176), recombinações (T25, GTS 40-3-2, Bt176), repetições alinhadas ou invertidas (T25, GA21, Bt176) e fragmentos transgênicos rearranjados e espalhados em todo o genoma.
As técnicas de transgenia de modificação tendem a introduzir tais rearranjamentos porque os DNA exógenos transferidos em plantas elicitam uma resposta à "ferida", a qual ativa enzimas reparadoras de nucleases e do DNA. Isto pode resultar ou na degradação do DNA a ser inserido, ou na inserção de cópias rearranjadas no DNA da planta . Adicionalmente, a natureza dos DNAs construídos usados para fazer plantas transgênicas pode influenciar nas tendências do rearranjamento para um dado evento transgênico. Alguns elementos genéticos nos "construídos" podem agir como pontos de ação e elicitar uma recombinação em alta freqüência .
Enquanto antigamente entendia-se que a integração dos "construídos" transgênicos ocorria aleatoriamente em locais do genoma da planta recebedora, atualmente tornou-se claro que os locais de integração são seguidamente concentrados, ou próximos, dos elementos tais como retrotransposons (T25, Mon810, GA21) e em seqüências repetidas (milho Bt11) , e isto coloca riscos adicionais. Primeiramente, introduzindo um novo promotor ou um novo enhancer motifs as inserções transgenicas nestes elementos ou próximos deles, pode direcionar para padrões de expressão temporal ou espacial dos genes das plantas, localizados próximos ou mesmo afastados do gene inserido. Secundariamente, um promotor retrotransposon LTR forte pode regular superiormente o nível da expressão do transgene. Terciariamente, retrotransposons podem começar a "saltar" sobre a influência de fatores da ação transversal requerida pelo gene inserido. Todos estes eventos podem ter efeitos imprevistos na estabilidade genética dos OGEs, e do mesmo modo, em seus valores nutricionais, alergenicidade e conteúdos intoxicantes. Estes processos putativos representam áreas de pesquisa omitida no que diz respeito aos efeitos do OGEs sobre a saúde.
Os DNAs transgênicos e suas proteínas são absorvidos a partir do trato Gastro intestinal (TGI) dos mamíferos?
Se o DNA e as proteínas dos OGEs persistem no, e são absorvidos pelo, TGI dos mamíferos, isto poderia, em última instância, teoricamente, como será apresentado abaixo, conduzir ao desenvolvimento de condições de doenças crônicas. O destino e conseqüências da persistência do DNA e sua absorção, entretanto, não foram extensivamente estudados, e portanto representam outra área de incerteza conectada com as PGEs.
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