


Introdução
Em consonância com a busca por uma alimentação cada vez mais saudável e segura, bem como pela preocupação sobre o impacto da atividade produtiva sobre o meio ambiente, o consumo de alimentos orgânicos vem assumindo novas dimensões. No entanto, persistem dificuldades em se dimensionar o tamanho e a evolução do mercado destes produtos, o que demanda estudos para conhecer melhor o seu consumidor, centro e elo para as estratégias de ampliação e diversificação da produção.
Objetivo
Identificar e analisar o perfil dos consumidores e o perfil de consumo de alimentos orgânicos, em feiras livres dos Municípios de Vila Velha e Vitória/ES e sua representação social sobre o consumo destes produtos.
Metodologia
Estudo exploratório de orientação analítico-descritiva, e caráter quali-quantitativo, que utilizou a abordagem teórica das representações sociais para descrever a percepção dos participantes sobre o objeto de estudo. População composta por 42 consumidores de duas feiras de produtos orgânicos (Vila Velha e Vitória, ES), que responderam a uma entrevista semi-estruturada, gravada eletronicamente para posterior transcrição. O perfil dos entrevistados foi descrito por variáveis de gênero, idade, sócio-econômicas e o perfil do consumo pela freqüência, tempo e produtos mais consumidos. A percepção dos indivíduos sobre alimentação saudável, alimentação orgânica, motivos e dificuldades para o consumo foram acessadas e analisadas pela técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC).
Resultado
Entre os sujeitos do estudo 56% eram do sexo feminino e 44% masculino, com idade entre 19 e 80 anos (média 51 anos), moradores em sua maioria dos bairros próximos às feiras pesquisadas. A maioria possuía renda familiar mensal acima de 10 SM, curso superior completo ou mais e famílias com até três membros (69%, 74% e 67% dos entrevistados, respectivamente). Cerca de 1/3 (30,9%) se declarou aposentado. Quanto às características do consumo, 71,4% adquirem os produtos orgânicos nas feiras uma vez por semana, 58% faz uso destes há mais de três anos e os alimentos mais consumidos são verduras e legumes. Os DSC revelaram: uma forte associação da alimentação saudável, com o consumo de frutas, hortaliças e grãos com uma dieta considerada "equilibrada"; representação dos alimentos orgânicos como aquele livre de agrotóxicos, que apresenta melhores características sensoriais e que produz saúde e bem estar. As dificuldades para o consumo foram mais atribuídas à falta de divulgação das feiras, a pouca diversidade e ao maior preço dos produtos orgânicos.
Conclusão
Os resultados apontam para necessidade de se incentivar uma produção mais diversificada, estratégias de marketing que estimulem demanda-oferta e diminuam preços e, assim, ampliem o acesso aos produtos orgânicos para parcela maior da população, já que o seu consumo está associado, na representação dos sujeitos, à promoção da saúde e a práticas alimentares saudáveis.
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