


O trabalhou avaliou a eficiência do hidrolisado de peixe originário do fertilizante orgânico obtido da fermentação de resíduos de pescados marinhos frescos, comercializado com o nome Fishfertil®, no controle do tombamento causado por Pythium spp. em pepino e a murcha de fusário causada por Fusarium oxysporum f. sp lycopersici raça 3 em tomate. Os experimentos foram realizados em casa de vegetação e o delineamento experimental foi inteiramente casualizado com dez repetições por tratamento. Para o pepino foi utilizada a técnica de estimular a população original do solo com aveia. Assim, o hidrolisado de peixe foi incorporado ao solo dez dias após a mistura com aveia em concentrações de 0%, 5%, 10%, 20%, 30%, 40%, 50%, 100%, do volume de água para atingir a capacidade de campo do solo e com incubação aberta e fechada Após dez dias de incubação, 200 ml da mistura foi adicionado no colo das plantas de pepino no estádio de 2° folhas verdadeiras. A avaliação foi realizada após cinco dias determinando-se o número de plântulas tombadas. A partir da concentração de 30% não houve tombamento de plantas. Por outro lado, o tombamento foi de 100% para os tratamentos com 0 e 5% do fertilizante. Para o experimento do Fusarium, utilizados três isolados da raça de 3 de Fusarium oxysporum f.sp. lycopersici (isolados 145, 146 e 149) Após a infestação o substrato foi incubado por quinze dias com o hidrolisado de peixes , foi incorporado ao substrato nas seguintes concentrações 0%, 5%, 10%, 20%, 30%, 40% e 50% volume de água necessária para atingir a capacidade de campo. Uma muda de tomate da cultivar Santa Clara suscetível à raça 3, com 30 dias de idade, foi transferido para cada vaso. A severidade da doença foi avaliada após 40 dias por meio de escala de notas para escurecimento vascular e sintomas externo. De modo geral, todas as doses do hidrolisado de peixes reduziram significativamente a severidade da doença.
Introdução
Diversos relatos indicam que a introdução de matéria orgânica no solo pode reduzir a severidade de diversos fungos patogênicos habitants do solo. Essa estratégia está recebendo atenção especial nos últimos anos, porque é uma alternativa viável aos fungicidas usados na agricultura e de menor impacto ambiental (Bouhot, 1981; Millner et al., 1982; Hoitink & Fahy, 1986; Mandelbaum & Hadar, 1990; Logsdon, 1993; Voland & Epstein, 1994; Bettiol et al., 1997; Lazarovitz et al., 2005; Lazarovitz et al., 2006). A supressão dos fungos patogênicos está relaciona aos fatores biológicos, bem como físicos e químicos. Chen et al. (1988) e Boehm & Hoitink (1992) demonstraram uma alta orrelação entre atividade microbiana, determinada pela hidrólise de FDA e supressividade ao tombamento causado por Pythium ultimum em substratos. Cada tipo de matéria orgânica apresenta características especiais que podem inducer a supressividade a certos patógenos (Millner et al., 1982; Chen et al., 1988), devido ao seu diferente efeito na atividade microbiana (Hoitink et al., 1997; Lazarovitz et al., 2005).
A incorporação de esterco de curral em substrato suprimiu a incidência e a severidade de do tombamento do pepino causado por Pythium aphanidermatum (Edson) ou Pythium ultimum (Mandelbaum & Hadar, 1990; Bettiol et al., 1997). Lazarovitz et al. (2006) verificaram o controle de doenças causadas por Pythium e Rhizoctonia spp. por meio da introdução de hidrolisado de peixe em solos e substratos. Lazarovitz et al. (2005) discutem os modos de ação da introdução de matéria orgânica ao solo no controle de patógenos habitantes do solo, considerando a importância da amônia, ácido nitroso, ácidos graxos voláteis e estímulo dos agentes de controle biológico naturalmente existentes no solo.
O presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito da introdução de hidrolisado de peixe em substrato no controle do tombamento causado por Pythium spp. e na murcha-de-fusário do tomateiro, causada por Fusarium oxysporum f.sp. lycopersici.
Material e Métodos
Efeito da incorporação de hidrolisado de peixe sobre a severidade de Pythium spp em pepino.
Em vasos de um litro contendo latossolo distroférrico autoclavado foram semeadas dez sementes de pepino cultivar Safira. Simultaneamente, em bandejas plásticas com capacidade para dois litros, foi preparada uma mistura de solo com e sem a adição de 200ml farelo de aveia para estimular o desenvolvimento de Pythium. A essa mistura foi incorporado 0%, 5%, 10%, 20%, 30%, 40% e 50% (v/v) do hidrolisado de peixe com o nome comercial Fishfertil® comercializado pela - Gerbi Ltda. (TABELA 1), em proporção a capacidade de retenção de água pelo solo acondicionada em bandejas plásticas tampadas ou não (TABELA 2). Metade das bandejas foi tampada com plástico escuro, para estudar o efeito dos possíveis metabólicos voláteis da decomposição do resíduo. Após dez dias de incubação, 200 ml da mistura foi adicionado na região do colo das plantas de pepino no estádio de 2° folhas verdadeiras. A avaliação foi realizada após cinco dias determinando-se o número de plântulas tombadas. O farelo de aveia foi utilizado para estimular a população natural de Pythium existente no solo e no substrato. O delineamento foi inteiramente ao acaso com dez repetições por tratamento. A metodologia de incorporação de aveia é baseada em Lourd et al. (1986).
TABELA 1. Atributos do hidrolisado de peixe.
P/P (%) / (P/V) (g/L)
Nitrogênio: 1 / 11,5
P2O5 sol. em H2O: 2 / 23
Cálcio: 1 / 11,5
Ferro: 0,25 / 2,88
Manganês: 0,05 / 0,58
Molibdênio: 0,01 / 0,12
Carbono orgânico: 18 / 207
* Dados fornecidos pelo fabricante. P/P= peso/peso; P/V= peso/ volume
TABELA 2: Volume do hidrolisado de peixe aplicado em cada tratamento em bandejas com 2L de substrato.
Tratamentos / Volume de água (ml) / Volume de EP (ml)
0% / 300 / 0
5% / 285 / 15
10% / 270 / 30
20% / 240 / 60
30% / 210 / 90
40% / 180 / 120
50% / 150 / 150
* EP= hidrolisado de peixe
Efeito do hidrolisado de peixe na severidade de Fusarium oxysporum f.sp. lycopersici raça 3 em tomateiro.
Um substrato contendo uma mistura de 60% do substrato comercial Multiplant "30:10" e 40% solo (autoclavado e não autoclavado) adubados para N, P e K (10-10-10 X 5g por litro de solo) foi infestado com clamidósporos de Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici produzido em talco (Silva & Bettiol, 2005), para obter a concentração de 107 clamidósporos/ml de substrato. Foram utilizados três isolados da raça de 3 de Fusarium oxysporum f.sp. lycopersici (isolados 145, 146 e 149 cedidos pelo pesquisador Ailton Reis, da Embrapa Hortaliças. Após a infestação o substrato foi incubado por quinze dias quando o hidrolisado de peixes, produto comercial Fishfertil®- Gerbi- Ltda, foi incorporado ao substrato nas concentrações 0%, 5%, 10%, 20%, 30%, 40% e 50% por volume de água necessário para atingir a capacidade de campo (TABELAS 1 e 3).
Transcorrido uma semana da incorporação do fertilizante nos substratos contidos em vasos de 2,8L, uma muda de tomate da cultivar Santa Clara suscetível à raça 3, com 30 dias de idade, foi transferido pra cada vaso.
As plantas foram mantidas em condições de casa de vegetação com irrigação diária. A condução teve uma haste por planta, sendo que foram tutoradas com fios de plásticos amarrados no teto da casa de vegetação.
A severidade da doença foi avaliada após 40 dias por meio duas escalas de notas adaptadas de (Tokeshi & Galli, 1967). O escurecimento vascular e os sintomas externos foram avaliados separadamente. Notas para escurecimento vascular: 1- Planta sem escurecimento dos vasos; 2- Planta com escurecimento até a altura da primeira folha; 3- Planta com escurecimento até a segunda folha; 4- Planta com escurecimento até a terceira folha; 5- Planta com escurecimento até a metade do comprimento do caule; 6- Planta com escurecimento até próximo do ponteiro. Notas pra os sintomas externos: 1- Planta sem sintoma; 2- Planta com amarelecimento até a segunda folha; 3- Planta com amarelecimento até a terceira folha; 4- Planta com murcha e sem amarelecimento; 5- Planta com murcha e amarelecimento; 6- Planta morta. Outra escala de notas foi utilizada para avaliar a severidade da doença adaptada de Santos. (1999); Tokeshi & Galli, (1967) 1-Plantas sem sintomas, 2- Plantas sem sintomas de murcha e amarelecimento, mas com escurecimento vascular; 3- Plantas com escurecimento vascular intenso e com murcha ou amarelecimento foliar; 4- Plantas com escurecimento vascular até a metade do comprimento do caule com duas ou três folhas com amarelecimento, 5- Plantas com murcha intensa, associadas com amarelecimento e necrose foliar; 6- Plantas mortas.
Nos substratos tratados com as diferentes concentrações do hidrolisado de peixe foram determinadas a condutividade elétrica e o pH. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com dez repetições.
A análise estatística foi realizada utilizando o programa SAS (SAS, 1993). A comparação das médias foi feita pelo teste Tukey. Modelos de regressão foram ajustados para as mudanças quantitativas nas características químicas do solo.
TABELA 3: Volume do hidrolisado de peixe aplicada em cada tratamento em vasos de 2.800ml de substrato.
Tratamentos / Volume de água (ml) / Volume de EP (ml)
0% / 250 / 0
5% / 237,5 / 12,5
10% / 225 / 25
20% / 200 / 50
30% / 175 / 75
40% / 150 / 100
50% / 125 / 125
* EP= hidrolisado de peixe
Resultados de Discussão
Efeito da incorporação de hidrolisado de peixe sobre a severidade de Pythium spp. em pepino.
A mistura de solo + farelo de aveia tratada com o hidrolisado de peixe nas doses de 20%, 30%, 40% e 50% acondicionada em bandejas plásticas abertas por dez dias, reduziu o tombamento provocada por Pythium spp. em de plantas pepino cultivar Safira. Para o solo incubado em bandejas fechadas o tombamento foi controlado nas doses de 30%, 40% e 50% do hidrolisado de peixes, (TABELA 4). Por tanto não houve efeito da incubação aberta e fechada do solo tratado com o hidrolisado de peixe (TABELA 4). Uma observação importante no estudo foi a presença de crescimento de Trichoderma e Aspergillus na superfície do substrato na presença de hidrolisado de peixe, estas observações são semelhantes as estudadas por Mattos et al. (2006), dados ainda não publicados.
A mistura de solo tratada com o hidrolisado de peixe, sem a adição de aveia acondicionadas em bandejas abertas e fechadas não causaram tombamento e nem fitotoxicidade as plantas. (TABELA 4). Esse fato demonstra a capacidade do método em reduzir a doença. Além disso, não foi verificado fitotoxicidade d o hidrolisado de peixe até a concentração testada. Os resultados obtidos estão de acordo com Lazarovitz et al. (2005/ 2006) com hidrolisado de peixe e por Bettiol et al. (1997/200); Voland & Epstein (1994); Logsdon. (1993); Hoitink & Fahy (1986) e com o uso de matéria orgânica.
Efeito do hidrolisado de peixe sobre a severidade de Fusarium oxysporum f.sp. lycopersici raça 3 em tomateiro.
A variável isolada não apresentou significância no teste F. Assim, as análises de severidade foram realizadas em conjunto para os três isolados. O mesmo ocorreu para as interações isolado x concentração de hidrolisado de peixe, isolado X substrato; isolado X concentração de hidrolisado de peixe x substrato.
TABELA 4: Efeito do hidrolisado de peixe na porcentagem de tombamento de plântulas de pepino causada por Pythium.
Incubação: Aberta / Fechadas
Solo: 0 b / 0 c
Solo + Aveia: 76,1 a / 76,1 a
Solo + EP 5% + Aveia: 60,2 a / 62,5 a
Solo + EP 10% + Aveia: 62,5 a / 56,8 ab
Solo + EP 20% + Aveia: 21,6 b / 36,4 b
Solo + EP 30% + Aveia: 9,1 b / 0 c
Solo +EP 40% + Aveia: 4,5 b / 2,3 c
Solo + EP 50% + Aveia: 0 b / 0 c
Solo: 0 b / 0 c
Solo + Aveia: 76,1 a / 76,1 a
Solo + EP 5%: 11,4 b / 13,6 b
Solo + EP10%: 7,9 b / 6,8 bc
Solo +EP 20%: 6,8 b / 12,5 b
Solo + EP30%: 0 b / 0 c
Solo + EP 40%: 1,1 b / 2,3 bc
Solo +EP 50%: 0 b / 0 c
*Valores seguidos pela mesma letra não diferem entre si (P=0.05).
Na avaliação da severidade, considerando os sintomas externos, observou-se de modo geral que todas as doses do hidrolisado de peixes reduziram significativamente a severidade (TABELA 5 ).
Em relação à severidade determinada pelo escurecimento vascular o comportamento foi semelhante à dos sintomas externos (TABELA 4), demonstrando a redução desses sintomas com o aumento da concentração do hidrolisado de peixe.
A condutividade elétrica do solo foi diretamente proporcional em relação à concentração do fertilizante orgânico obtido da fermentação de pescados marinhos frescos (Fishfertil®). Por outro lado, o pH esteve sempre acima de 6, mas com comportamento quadrático`sendo o ponto de inclinação em torno da concentração de 30%.
TABELA 5: Efeito do hidrolisado de peixe sobre a severidade de Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici em tomate.
SINTOMAS EXTERNOS / ESCURECIMENTO VASCULAR / ESCURECIMENTO VASCULAR X SINTOMAS EXTERNOS
Concentração / Autoclavado Média / Não Autoclavado Média / Autoclavado Média / Não Autoclavado Média / Autoclavado Média / Não Autoclavado Média
Testemunha absoluta (não inoculada) / 1,67 c A / 1,40 d A / 1,33 c A / 1,07 d A / 1,23 d A / 1,27 b A
0% / 5,70 a A / 5,30 a B / 5,43 a A / 5,23 a A / 5,53 a A / 5,26 a A
5% / 3,10 b A / 2,87 bc A / 3,23 b A / 2,26 cd / A 2,83 bc A / 1,60 b B
10% / 2,77 b A / 3,20 b A / 3,67 b A / 3,67 b A / 2,60 bc A / 2,63 b A
20% / 2,90 b A / 2,50 bc A / 2,80 b A / 2,67 cb A / 2,23 bc A / 2,10 b A
30% / 2,50 bc A / 2,50 bc A / 2,63 b A / 2,26 cd A / 2,10 cd A / 1,93 b A
40% / 3,17 b A / 2,13 cd B / 3,40 b A / 2,10 cd B / 3,10 b A / 1,63 b A
50% / 2,87 b A / 2,16 cd B / 2,63 b A / 2,50 cb A / 2,83 bc A / 2,06 b A
Autoclavado / 3,07 a / - / 3,1 a / - / 2,74 a / -
Não Autoclavado / 2,75 b / - / 2,74 b / - / 2,55 a / -
*Valores seguidos pela mesma letra não diferem entre si (P=0.05)
*Médias seguidas de letras maiúsculas iguais nas linhas diferem entre si.
*Médias seguidas de letras minúsculas iguais nas linhas diferem entre si.
[...]










