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27 de setembro de 2010

Distribuição espacial dos produtos orgânicos no Estado de Minas Gerais

produção
NO on on on on o nono onon ono nono nono nono
HO oh oh ohoho hoho hohoh oho hoho hoho hohoh ohoh oho
 
Bruno Castro Ribeiro

 

Distribuição espacial dos produtos orgânicos no Estado de Minas Gerais

O presente artigo objetiva conhecer a produção orgânica no Estado de Minas Gerais. As estratégias metodológicas utilizadas foram consultas às fontes bibliográficas para embasamento teórico e levantamento de dados sobre a produção orgânica mineira. Em presença de poucas informações sobre o assunto, significativa parte do trabalho foi elaborada a partir de consultas às certificadoras e instituições de pesquisa relacionadas à produção orgânica em Minas. Também é apresentada uma discussão sobre a agricultura orgânica no cenário mundial e brasileiro, ao expor as potencialidades do mercado orgânico em ambos. O resultado foi à espacialização dos produtos orgânicos no território mineiro, a fim de conhecer esta produção e estimular o consumo destes produtos.

 

Introdução

As últimas décadas foram marcadas pela crescente procura de alimentos livres de agrotóxicos em todas as partes do mundo. Esse fato pode ser explicado em razão de que gêneros alimentícios produzidos a partir do uso desenfreado de insumos agrícolas corrompem a qualidade destes e do meio ambiente. Neste contexto, a busca pela qualidade alimentícia contribui para a intensificação da produção orgânica, que vai ocupando espaço no mercado mundial.

A agricultura orgânica é caracterizada por um conjunto de processos de produção que respeita as leis da natureza. Seu manejo agrícola se baseia no fundamento de que a produtividade é associada à matéria orgânica do solo, juntamente com a atuação dos microorganismos que já estão e são inseridos a ele. Estes microorganismos são necessários para suprirem os elementos minerais e químicos indispensáveis ao desenvolvimento dos vegetais cultivados.

A produção orgânica engloba um número expressivo de agricultores que tentam desenvolvê-la de modo integrado aos setores ambiental, social, político, biológico e econômico. A divulgação de dados estatísticos pode valorizar e aumentar a renda dos produtores, ao preocupar com a qualidade de vida do trabalhador e de sua lucratividade.

Os fatores sócio-políticos são relevantes para a agricultura orgânica, visto que a produção orgânica se enquadra perfeitamente nas médias e pequenas propriedades rurais, o que contribui para os pequenos agricultores para que não percam espaço para os latifundiários, e revitalizem as comunidades rurais. No lado ambiental, os orgânicos são produzidos de forma a equilibrar o meio ambiente por trabalhar de maneira harmoniosa em relação ao tempo, ritmo, ciclos e limites da natureza.

O produtor orgânico deve-se associar aos outros produtores que exercem a mesma produção para que possam adquirir mais força política para o fortalecimento da classe trabalhadora orgânica. Através de associações de incentivo aos orgânicos que buscam integrar toda a cadeia produtora e também possam trocar conhecimentos sobre os orgânicos.

Existe uma grande dificuldade de se obter informações sobre o cultivo orgânico, principalmente ao se tratar de dados quantitativos. Diante desta problemática, o objetivo deste trabalho é conhecer a produção de orgânicos em Minas Gerais. Almeja-se, também, identificar os principais produtos orgânicos produzidos em Minas Gerais, espacializá-los e produzir uma regionalização relacionada com os alimentos orgânicos.

Para a elaboração do artigo foram adotados procedimentos metodológicos que buscaram levantar a bibliografia especializada e dados quantitativos existentes acerca da temática que posteriormente resultaram na sua espacialização, em Minas Gerais.

 

Os primórdios da agricultura orgânica

O surgimento da agricultura se deu há cerca de 10 mil anos, fato que levou ao entendimento das primeiras civilizações. A partir da agricultura, os povos se fixaram a terra e puderam ter uma disponibilidade de alimentos para sua sobrevivência. Com o aparecimento das primeiras aldeias, os coletores nômades converteram-se em camponeses sedentários que domesticaram animais, dividiram o trabalho e descobriram ferramentas de trabalho. Tal fato proporcionou o desenvolvimento da agricultura tornando-a principal fonte de renda econômica por milhares de anos. E mesmo com a chegada da revolução industrial, a atividade agrícola não perdeu sua força, pois a produção de alimentos é responsável pela vitalidade humana, ou seja, sem alimentos não há vida.

O processo de desenvolvimento da agricultura química surgiu em 1840, uma técnica baseada na utilização de nutrientes com compostos químicos, mecanizada e sementes melhoradas, fadada a uma alta produtividade e rentabilidade aos agricultores (Stringheta e Muniz, 2003). As técnicas adotadas para esse novo modelo de agricultura começaram a ser prejudiciais ao solo, a água, ao ar e a biodiversidade. Desse modo, surgiram três alternativas para a produção agrícola na Europa sem insumos químicos.

A primeira alternativa refere-se à agricultura Biodinâmica fundamentada na Antroposofia1 ("ciência espiritual"), que procura relação da natureza com as forças cósmicas, na qual a propriedade rural é compreendida como um organismo vivo. A agricultura biológica por sua vez, consiste na melhoria vital do ecossistema e na fertilidade do solo, resultando na saúde humana. A agricultura Orgânica consiste na terceira alternativa de produção agrícola nos países europeus, buscando alimentos de alta qualidade, sem insumos agrícolas nocivos à saúde humana.

A agricultura convencional é praticada de forma que vise acima de tudo à produção, sem preocupar com a conservação do meio ambiente e com a qualidade nutritiva dos alimentos. É de incontestável eficácia, pelo modo de que "ela proporcionou um aumento da produtividade de alimentos entre 1950 e 1984, em todo o planeta" (GLIESMAN, 2002, 65p.).

Esta agricultura está diretamente ligada ao preparo do solo com a utilização de adubos minerais de alta solubilidade, o uso de agrotóxicos e fertilizantes para controle de pragas e doenças. Assim, os alimentos gerados através deste tipo de cultura podem causar sérios danos à saúde da população, os quais até hoje não se tem estudos concretos sobre reações futuras em seres humanos.

No final do século XX, na Europa, no intuito de contestar o desenvolvimento industrial e urbano, originou-se um movimento que tinha como objetivo a busca de uma alimentação mais saudável. O inglês Sir Albert Howard dá inicio a estudos relacionados à agricultura orgânica através de experimentos na estação de Pusa, na Índia. Foram observados que alguns camponeses não usavam insumos químicos, porém já utilizavam técnicas de reciclagem de matéria orgânica. Os animais que faziam parte deste trabalho agrícola não possuíam doenças, contrapondo a situação de animais da estação experimental, onde foi empregado controle sanitário. (Deffune, 2000)

Desse modo, Howard decidiu trabalhar com um experimento de 30 hectares auxiliado por camponeses nativos e em 1917, assumiu que detinha o conhecimento de cultivar sem insumos químicos e fertilizar o solo para eliminar doenças em plantas e animais. Tem se como resultado um aprimoramento intenso da prática da produção orgânica. (AAO, 2009).

Atualmente muito se tem discutido, em relação à prática da agricultura orgânica, pois:

para que uma atividade agrícola seja considerada como orgânica deve visar á oferta de produtos saudáveis e de elevado valor nutricional, isentos de qualquer tipo de contaminantes que ponham em risco a saúde do consumidor, do agricultor e do meio ambiente; à preservação e a ampliação da biodiversidade dos ecossistemas natural ou transformado, em que se insere o sistema produtivo; à conservação das condições físicas, químicas e biológicas do solo, da água e do ar [...] (DAROLT, 2002, p.94).

O princípio fundamental da agricultura orgânica consiste na diversificação de produtos existindo assim, pequenos riscos na produção e no comércio. Esta alta diversidade das culturas orgânicas implica em seu sucesso, uma vez que em qualquer época do ano, o produtor tem chances de disponibilizar para os consumidores, espécies provenientes de cada estação.

A qualidade dos alimentos orgânicos é assegurada pela existência de um Selo Oficial de Garantia fornecido pelas associações de agricultura orgânica e de um sistema de certificação de agricultores e firmas acompanhado de assessoramento técnico e controle fiscalizador, envolvendo todos os atores- produtor, industrial e comerciante. (PASCHOAL, 1994,p.279).

A certificação dos produtos orgânicos é um procedimento no qual o agricultor segue uma série de requisitos bastante rigorosos. A propriedade rural convencional atravessa por um período de conversão, (o modo de produção moderno para o orgânico), envolvendo a desintoxicação do solo e a busca do equilíbrio do meio ambiente. A conversão assegura aos produtores um processo produtivo que atenda aos padrões da agricultura orgânica.

Para que ocorra um desenvolvimento da agricultura orgânica e uma boa garantia quanto à certificação, é necessária uma legislação adequada que servirá para organizar os processos contidos na agricultura orgânica.

Esta lei surgiu recentemente, destacando a Instrução Normativa Nº 007, de 17 de maio de 1999, formulada pelo Ministério da Agricultura, com objetivo de mostrar como os agricultores de orgânicos do Brasil fariam para produzir tais produtos de maneira que respeite as regras de produção e estabeleça os processos adotados, forma de distribuição e certificação do produto final. (BRASIL, 1999).

Em Julho de 2004 a Portaria 158 do MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), determinou um programa de Desenvolvimento da Agricultura Orgânica - PRO-ORGÂNICO que consiste em fiscalizar, apoiar os pequenos agricultores e vistoriar as propriedades produtoras. E em 27 de dezembro de 2007 com a regulamentação da Lei N° 831/2003, tem início à consolidação da agricultura orgânica no Brasil, o que estabelece a oficial certificação do produto no país e prevê o funcionamento do sistema de produção desde a propriedade rural até os pontos de venda. Através desta lei entrou em vigor o controle correto de produção animal e vegetal, processamento e mecanismos e informações da qualidade orgânica.

O longo processo que a agricultura orgânica implica, só vem ressaltar seu objetivo maior proporcionar uma qualidade á saúde, ao meio ambiente, aos agricultores, enfim a todos que estão de forma direta ou indireta integrados no desenvolvimento deste setor agrícola. Seguindo a tendência mundial, o Brasil também aderiu ao movimento orgânico. Novos caminhos são procurados por aqueles que buscam a inserção neste mercado promissor e que apresenta potencialidades de se tornar cada vez mais sólido.

 

A produção orgânica no Brasil

A agricultura orgânica no Brasil foi implantada a partir de 1970, Stringheta e Muniz (2003), quando as práticas convencionais das atividades agropecuárias foram questionadas, tomando força maior na década de 80, período em que aconteceram iniciativas que puderam desenvolver formas alternativas para substituir o modelo até então exercido pelos trabalhadores agrícolas do País.

Em 1984, foi criado o IBD - Instituto Biodinâmico em Botucatu, no estado de São Paulo, com objetivo de promover pesquisas sobre a agricultura orgânica. Durante toda está década, surgiram organizações não governamentais (ONG'S) e associações de agricultores de diversas regiões do país que fundamentaram em divulgar e implantar a produção orgânica, até então era incipiente.

Mesmo com a criação de associações e organizações para impulsionar o movimento orgânico brasileiro, o processo de produção e comercialização de produtos orgânicos ainda não apresentava uma estrutura organizada.

No ano de 1994, começaram a surgir às primeiras pressões internacionais, destacadamente da Comunidade Econômica Européia, pelo estabelecimento de normas nacionais para o processo de produção e comercialização de produtos orgânicos no país. O resultado dessas pressões foi à criação do Comitê Nacional de Produtos Orgânicos, formado pelas principais entidades com atuação concreta na produção orgânica. (DAROLT, 2009, p 01).

A partir dessas pressões, o governo brasileiro começou a desenvolver regulamentações que organizassem todo o processo que engloba a produção orgânica, como já foi citado no item "Os primórdios da agricultura orgânica".

Caminhando para uma organizada normatização nacional para a produção orgânica, o país ainda afronta-se com muitas dificuldades. O lento processo de conversão das terras, os investimentos na propriedade, os elevados preços dos produtos e a falta de logística para a distribuição dos produtos até as mãos do consumidor, são alguns exemplos de impedimentos para o sucesso da produção orgânica. Mesmo assim, estas não comprometem o crescimento acelerado da agricultura orgânica no País.

Existem muitas dificuldades, ao se tratar de dados estatísticos sobre a produção orgânica brasileira. Mas segundo o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 2004, o Brasil possui a 15ª colocação mundial em produção, e isso se dá pelo vasto número de agricultores que realizam este molde de produção, pelo número expressivo de áreas cultivadas, pela diversidade de produtos oferecidos, pelo comércio de produtos no mercado interno e externo, e os pesquisadores que promovem eventos, congressos, feiras divulgando de forma positiva o movimento orgânico brasileiro.

 

O Brasil ocupa atualmente a segunda posição na América Latina em termos de área manejada organicamente. Estima-se que já estão sendo cultivados perto de 275 mil hectares em cerca de 14.866 unidades de produção orgânica. Aproximadamente 70% da produção brasileira encontram-se nos estados localizados nas regiões sudeste e sul, especificamente (DAROLT,2002).

 

O Mapa

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, na Feira BIOFACH, em Nuremberg, na Alemanha realizada no ano de 2005 apresentaram a organização por macroregiões o crescimento da área por unidade certificada como orgânica no Brasil.

Tabela 1:

Produção orgânica por Macroregiões no Brasil.

Macroregiões / Produtos orgânicos

- Sudeste:Ervas, café, cana de açúcar, frutas, olerícolas, cosméticos, derivados da soja e bebidas.

- Sul:Horticultura, grãos, ervas e temperos, café, frutas, pães, doces e compotas, erva-mate, pecuária e óleos essenciais.

- Nordeste:Frutas, grãos, café, cacau, guaraná, ervas, horticultura.

- Centro-oeste:Pecuária, grãos e olerícolas. Norte Borracha, guaraná, ervas e temperos, grãos, frutas, óleo de palma e babaçu.

(Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2009)

As certificadoras brasileiras foram implantadas a partir do momento em que a produção orgânica começou a se desenvolver. Na iniciativa de apresentar qualidade aos consumidores, foram elaboradas normas para a atividade orgânica juntamente com o surgimento das entidades certificadoras.

Segundo a AAO - Associação de Agricultura Orgânica -, 2009, nos dias atuais existem aproximadamente 20 certificadoras atuantes no Brasil, sendo que 7 são de grande porte internacional. A maior parte das certificadoras brasileiras e estrangeiras localiza-se no Estado de São Paulo já as estrangeiras são de origem européia.

O fato do Brasil possuir potencial para o mercado orgânico contribui para a instalação de certificadoras internacionais, o que acarreta em um elevado número na produção para exportação.

Apesar de existir um crescimento exagerado de certificadoras no país, a tendência é que nos próximos anos haja uma diminuição deste número com a fusão de grandes certificadoras preocupadas com o mercado externo e o surgimento de certificadoras regionais para o mercado interno. (DAROLT, 2002, p.49).

Embora a maioria dos consumidores critiquem o elevado preço dos produtos orgânicos se comparados aos convencionais, estudos evidenciam o enorme potencial da produção e comercialização orgânica no país. Com um ritmo acelerado, o mercado brasileiro orgânico rumo a sua solidificação, apresenta uma elevada demanda no consumo interno.

 

O espaço orgânico no Estado de Minas Gerais

A agricultura orgânica no Estado de Minas Gerais, assim como no Brasil é bastante recente. Em meados da década de 70, com a denominação de Movimento de Agricultura Alternativa surgiram as primeiras discussões sobre a produção orgânica. Este movimento fundamentava-se em resistir ao avanço do uso de agrotóxicos na produção alimentícia e na busca de novas alternativas ao modelo de cultivo fadado ao uso de insumos químicos.

Para a EMATER/MG - Empresa de Assistência técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais, 2009, a agricultura orgânica é um sistema de produção agropecuária alternativo, cujos alimentos são obtidos de alta qualidade, ao usar técnicas e insumos naturais renováveis que respeitem o meio ambiente. Essa produção também necessita satisfazer os fundamentos da sustentabilidade, com viabilização econômica e participação social aos que praticam tal atividade. A Emater/MG, conta atualmente com um quadro de 144 técnicos treinados nesse tipo de produção, que prestam assistência a 1511 famílias no Estado, no intuito de promover organização rural, planejamento participativo e implantação de um programa de capacitação em agricultura orgânica.

Segundo informações do Planeta Orgânico 2009, o Estado de Minas Gerais possui duas certificadoras sediadas em seu território: Minas Orgânica e Sapucaí. A primeira localizada em Belo Horizonte é uma associação mineira para certificação de produtos orgânicos e possui atuação em todo país. A segunda localizada em Pouso Alegre, sul do Estado e tem por objetivo abrir novas perspectivas para a agricultura, especialmente para familiar e está envolvida diretamente no processo de certificação.

Atualmente, Minas Gerais está entre os estados brasileiros que mais possuem propriedades orgânicas certificadas. O gráfico 1 mostra como as propriedades estão distribuídas em percentual pelas mesos regiões mineiras.

 

Percentual de Propriedades (orgânicas)

(Nosso sistema operacional não permite a inserção de gráficos, figuras, tabelas ou fotos. Para ter acesso a este gráfico, entre em contato conosco que enviaremos por e-mail: contato@portalorganico.com.br)

Gráfico 1- Distribuição das propriedades orgânicas certificadas por Meso Região

do Estado de Minas Gerais.

Fonte: Certificadoras atuantes em Minas Gerais, 2009.

Após um longo período de pesquisas, a respeito de quais certificadoras são atuantes no território mineiro, teve início a coleta de dados através das mesmas. O contato foi feito com as certificadoras e depois de recolhidos os dados, foram agregados em tabelas que deram início a elaboração de uma coletânea de mapas. Primeiramente foi feito um mapa síntese, com todos os tipos de produção orgânica relacinando-os com a região em que é feito seu cultivo. Em seguida foi elaborada uma seqüência de mapas que especificam cada tipo de produção, determinando em quais mesos regiões eles são produzidos.

O mapa síntese e a coletânea de mapas foram elaborados a partir do modo de implantação pontual, para que as simbologias empregadas mostrem nos mapas que os produtos orgânicos são produzidos especificamente em determinadas áreas nas mesos regiões de Minas Gerais. O nível de organização utilizado foi o associativo, para que, seja, demonstrado os agrupamentos de tipos de produções orgânicas.

As variáveis visuais (símbolos) foram utilizadas na legenda dos mapas, correspondem aos tipos de produtos cultivados no espaço de Minas Gerais.

Distribuição dos Produtos Orgânicos por Meso-Região do Estado de Minas Gerais

(Nosso sistema operacional não permite a inserção de gráficos, figuras, tabelas ou fotos. Para ter acesso a este gráfico, entre em contato conosco que enviaremos por e-mail: contato@portalorganico.com.br)

De acordo com DAROLT (2001), aproximadamente 70% da produção brasileira encontra-se nos estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo. Diante dessa significância do Estado de Minas Gerais no cenário orgânico e também pelas informações visualizadas na representação nos mapas, a produção orgânica mineira apresenta diversos tipos de produtos.

O mapa síntese representa a espacialização da produção orgânica em Minas Gerais por meso regiões. A porção Nordeste do mapa síntese apresenta a menor concentração de produção orgânica e de diversidades destes, isso consiste pelo o pequeno nível de desenvolvimento econômico. Existem dificuldades para a atividade agrícola devido ao clima semi-árido, não são todos os tipos de produtos que se adaptam a esse clima, para que o problema seja minimizado é necessário requerer grande capital para, por exemplo, irrigação, correção do solo, reserva de águas.

O Jequitinhonha representa a meso região de mais concentração e diversidade de produtos orgânicos da porção Nordeste do mapa síntese.

Enquanto as meso regiões Norte, Vale do Mucuri, Vale do Rio Doce não possuem representatividade de produção de orgânicos, ou seja, segundo as certificadoras atuantes em Minas, não possuem indícios de produtos certificados nessas mesos regiões.

Na porção Sudoeste de Minas Gerais, estão localizadas as três mesos regiões (sul, central e oeste) que mais produzem e possui a maior variedade de orgânicos, isso pode ser apontado pelo maior desenvolvimento econômico dessa porção do território. Isto também se relaciona aos aspectos logísticos (rodovias que facilitam o escoamento da produção) e aspectos físicos (solos férteis e clima favorável á atividades agrícolas).

Na coletânea de mapas é também representada a distribuição dos produtos orgânicos por Meso-região de Minas Gerais. Porém, cada mapa apresentado possui especificamente o tipo de produção relacionando-os com as mesos regiões em que são produzidas.

A meso região sul do Estado segundo o mapa síntese, representa o maior nível de variedade de tipos de produtos orgânicos. São muitos os fatores que contribuem para essa representatividade, uma delas é a proximidade da região com o principal mercado de orgânico, São Paulo, que facilita na distribuição dos produtos. Segundo o Sebrae/ MG, "cerca de 90% da produção é comprada por atacadistas, principalmente de São Paulo" (SEBRAE, 2009).

Outro ponto a favor que representa a variedade de tipos de produtos orgânicos do Sul mineiro, pode ser apontado pelo grande número de agricultores associados a entidades que promovem a expansão e divulgação da agricultura orgânica, o que os torna fortalecidos para continuarem elevando o número da produção.

Esta meso região, além disso, possui a agricultura como a atividade econômica mais forte, conhecida pela intensa presença no mercado brasileiro devido à produção de café e leite. Este vínculo fez com os agricultores procurassem novas alternativas de manejo agrícola, destacando - se como a região mineira que mais produz alimentos de alta qualidade nutricional.

As frutíferas são produzidas nas mesos regiões do triângulo, sul e central. A banana, produzida nestas regiões, é a principal fruta destinada ao consumo in natura, ou seja, a matéria prima agrícola primária é transformada em produto industrial. Segue-se também neste consumo (in natura), a maça, tangerina e manga (Anuário Brasileiro de fruticultura, 2005).

Os grãos, em destaque o café são produzidos basicamente em todo território de Minas Gerais (sul, central, oeste, triângulo, zona da mata e nordeste). Porém, a região Sul é aquela que apresenta de modo mais significativo à produção cafeeira, por fatores característicos fundamentais a este tipo de lavoura. É conhecida por ter recursos financeiros, áreas com disponibilidade, potencial para o cultivo cafeeiro e desde os primórdios do século XVIII, o café convencional é cultivado em alta escala, mas decorrente do produto ser alvo de constantes oscilações no mercado financeiro, houve um interesse pelos agricultores na produção orgânica do café, que é bastante lucrativa, justa socialmente e ainda trabalha com equilíbrio ambiental.

Outros aspectos importantes relacionadas com o cultivo cafeeiro nos municípios do Sul de Minas e da Zona da Mata são ressaltados por Stringheta e Muniz (2003), são regiões que ocorrem um período chuvoso mais longo, com inverno mais rigoroso, o que causa a colheita mais tardia, dando tempo para a formação de mudas, preparo do solo e plantio do cafezal mais demorado do que uma região de inverno menos rigoroso.

Os produtos processados (chá verde, pães no geral, requeijão, geléia, capuccino, baunilha, cachaça, manteiga, leite em pó) são produzidos nas regiões: Central, Jequitinhonha, Sul, e Triângulo. Esse setor dos produtos orgânicos possui alto grau de desenvolvimento, devido à evolução da conscientização do consumidor à procura de produtos transformados de alta qualidade.

As olerícolas são produzidas nas mesos regiões sul, oeste e central. Essas são melhores ao sistema de produção orgânica às características de pequenas propriedades, com manejo familiar, diversidades de produtos cultivados em uma mesma área, menor dependência de recursos externos e menor necessidade de capital. Esse tipo de produção apresenta grande diversidade; Abobrinha, alecrim, alface, alho, alho poró, batata, batata doce, berinjela, beterraba, brócolis, cenoura, chuchu, couve-Flor, ervilha, inhame, salsa, mandioca, rabanete, vargem, entre outras. Já as culturas (cana de açúcar e feijão), são produzidos nas mesos regiões, central, oeste e sul e o extrativismo somente na meso região sul.

 

Considerações Finais

Com base nos resultados das pesquisas feitas às certificadoras atuantes em Minas Gerais , as expectativas do mercado de orgânicos, são otimistas. Visto que a espacialização de orgânicos é representada por uma grande variedade de produtos em basicamente todo o território mineiro.

Além disso, a agricultura orgânica em seu contexto social aponta ser uma ótima alternativa para o pequeno agricultor de gestão familiar, não diminuindo em produtividade, diversidade e possibilidades de comercialização dos produtos com maior lucratividade em relação aos produtos convencionais.

O texto referência à agricultura orgânica na esfera nacional e internacional, discute seus primórdios á sua fase de distribuição, mostra como essa atividade agrícola possui uma intima relação de quem a prática e o meio ambiente. Com a espacialização orgânica, ou seja, conhecimento dessa produção em Minas Gerais promove-se o engajamento de pessoas que já são relacionadas aos orgânicos e também aquelas que possa aderir a essa prática.

O mercado de orgânicos em Minas Gerais se mostra com potencial de crescimento em evidência, para isso é necessário integrar de maneira harmoniosa todos os elementos envolvidos com a produção orgânica e ao mesmo tempo respeitar as particularidades do território mineiro, por exemplo, aspectos físicos e socioeconômicos, dando ênfase aos agricultores que estão iniciando o processo de conversão e precisam de apoio técnico e econômico. Desse modo, a agricultura orgânica fundamentada nos seus preceitos e em conjunto com os elementos envolvidos na sua filosofia contribuem na construção de um espaço sustentável.

Assim, chega-se a conclusão de que o conhecimento da espacialização mineira orgânica muito contribui para o desenvolvimento dessa agricultura de modo sustentável e competitiva, capaz de cultivar alimentos de qualidade superior e de alta oferta compatível a crescente demanda durante todo o ano.

 

Referências Bibliográficas

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CERTIFICADORAS, que atuam em Minas Gerais: ABIO, BCS OKO, ECOCERT, CMO, IBD, IMO, IMO CONTROL, MINAS ORGÂNICA, BCS, MOKITI OKADA, SAPUCAÍ, OIA.

DAROLT, Moacir Roberto. A evolução da agricultura orgânica no contexto brasileiro. Disponível em: http:/www.planetorganico.com/brasil.htm

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