


Para abordar a temática que envolve os diferentes grupos de alimentos na perspectiva da Alimentação Integral Orgânica, parte-se do princípio de que apesar da imensa diversidade das práticas agrícolas e alimentares dos povos tradicionais, todas deram bons resultados porque quase sempre conservavam a forma natural do alimento, a biodiversidade e estavam enquadradas dentro da cultura local.
Os aspectos alimentares restritivos, de base antropológica e cultural, traduzem a essência e as qualidades de cada povo e de seu modo de se alimentar e viver e estão descritos na perspectiva da Nutrição Complementar Integrada e suas diferentes correntes e racionalidades alimentares.
É preciso enfatizar que muitas das indicações alimentares aqui propostas podem ser questionadas sob o enfoque causal reducionista da dietética moderna. Não são orientações inovadoras; ao contrário são tão antigas que foram esquecidas e precisaram ser resgatadas à luz da ciência da Nutrição, sob um enfoque de saúde humana, ambiental e social que não pode ser mais desconsiderado.
Quando se aborda o tema de uma alimentação saudável na ótica da Alimentação Integral Orgânica, o que se procura é estimular um pensamento sistêmico. As indicações sobre um grupo de alimentos específico não remete à ação de um só nutriente ou de um alimento com funções superlativas, separado de toda a dieta. Ao se restringir ou estimular o consumo de um alimento deve-se pensar no equilíbrio da alimentação, na origem e forma de produção dos alimentos e no equilíbrio quantitativo, variando sempre os diferentes grupos de alimentos. Ainda enfatiza-se a necessidade de se pensar em saúde holisticamente, a partir de formas saudáveis de lazer, de trabalhar, de amar, de exercitar-se, de respirar, além de se alimentar.
As pesquisas reducionistas que avaliam determinado nutriente e sua ação específica no organismo, sem avaliar a dieta e a qualidade de vida como um todo, têm conduzido a muitos erros dietéticos dentro da ciência da Nutrição.
Alguns alimentos orgânicos não são facilmente disponíveis no mercado. Já existem muitos grãos, frutas e principalmente verduras orgânicas, mas em termos de produtos de origem animal, leite e derivados, ovos, carnes e frangos há pouca oferta. Também constituem uma lacuna para o consumidor os alimentos integrais orgânicos processados, como compotas, sopas, cereais pré-cozidos, massas, bolachas, óleos pressurizados a frio, sucos, entre outros. Essa carência deve estimular o consumidor para exigir produtos de qualidade e incentivar a sua produção, para disciplinar o mercado e o marketing dos alimentos e para apoiar políticas públicas em favor da Agricultura Familiar Orgânica, tornando-se um consumidor mais consciente e atuante e fazendo da alimentação um ato político, além de um ato de prazer e de promoção da saúde.
A proposta de alimentação integral orgânica não tem um caráter restritivo. O que se ressalta aqui é a necessidade de se dar mais valor a um modo de comer e de viver em sintonia com os complexos conceitos de qualidade de vida e de saúde socioambiental.
































