


Nosso planeta existe há aproximadamente 4,8 bilhões de anos. Se a idade da Terra fosse reduzida a um ano, nos primeiros 8 meses não haveria nenhuma vida. Os dois meses seguintes marcariam o surgimento das criaturas mais primitivas (os vírus, bactérias, etc.). Os mamíferos apareceriam na segunda semana de dezembro apenas. E o homem surgiria por volta das 23 horas e 45 minutos do dia 31 de dezembro. A agricultura, faltando 5 minutos para o fim desse suposto ano e, por fim, a escrita apareceria com menos de um minuto para acabar o ano. Tudo que conhecemos como mundo ocidental aconteceu em menos de 1 minuto! Na contagem regressiva para o fim do ano, teríamos a criação da dita agricultura moderna, baseada no tripé moto-mecânico, genética e agroquímicos (adubos sintéticos e agrotóxicos).
Em alguns segundos, nesse relativo ano da Terra, fizemos mudanças jamais vistas. E elas derivam de grandes impactos que o homem causou no ambiente: impactos com a revolução industrial e a revolução verde. Em relação ao primeiro impacto, deixarei para uma outra conversa. Já a Revolução Verde é diretamente ligada ao modus operandi de nossa agricultura atual. Pouco mudou desde o surgimento desse conceito que deu as diretrizes básicas para o aumento fenomenal da produção agropecuária. E o aumento fenomenal da destruição ambiental.
É no quesito ambiental que precisamos, urgentemente, retomar nossos preceitos básicos de produção agropecuária. Afinal, aliado ao impacto causado pela indústria e cidades (revolução industrial), precisaríamos de 1,5 planetas para sustentar a população mundial. Se tal população seguir o que os países afluentes do hemisfério norte assumem como proposta de desenvolvimento, precisamos conseguir mais metade de um planeta Terra para suprir as necessidades providas desse sistema.
É nesse sentido que o sistema de produção agropecuária precisa contribuir: produzir mais e melhor. E quando dizemos melhor, estamos precisando incluir boas práticas de produção considerando os impactos ambientais resultantes dessa produção. E isso não é simples: precisamos investir em políticas publicas que considerem pesquisas e inovações agrícolas com esse enfoque. Da mesma forma que a revolução verde teve seu investimento - público ou privado - em pesquisa, está na hora de privilegiar e os sistemas de produção que considerem o ambiente para que os mesmos tenham, ao menos, investimentos proporcionais aos que houveram no passado.
Sem essas providências, teremos sem dúvida que buscar outra "metade de Terra".































