


CANA-DE-AÇUCAR: CENTRO DE ORIGEM
A cana-de-açúcar (Saccharum spp) pertence à família Poaceae (Gramineae) e sua idade é um assunto polêmico entre pesquisadores, é estimado entre 12.000 anos e 6.000 anos atrás. O centro de origem da planta também é uma incógnita, graças à quantidade de gramíneas híbridas existentes e à ausência de documentos que atestem sua origem.
Alguns pesquisadores sugerem que a cana-de-açúcar tenha surgido inicialmente na Polinésia; alguns acreditam ser a Papua Nova Guiné o centro de origem da gramínea. Os historiadores que crêem que a cana surgiu há 6 mil anos indicam a Indonésia, Filipinas e norte da África como expansão natural nos dois mil anos após o primeiro registro da planta. Inicialmente foi cultivada a espécie Saccharum officinarum L. e com o passar do tempo, cultivares desta espécie sofreram problemas de doenças e de adaptação ecológica, e foram substituídas pelos híbridos interespecíficos do gênero Saccharum.
Porém, para a maior parte dos estudiosos, a cana surgiu entre 10 e 12 mil anos, e data em 3.000 a.C. o caminho percorrido pela cana da Península Malaia e Indochina à Baía de Bengala.
No entanto, apesar de tantas dúvidas sobre o local exato do surgimento e a data correta, todos os pesquisadores concordam que a cana-de-açúcar tem origem asiática.
A cana chegou na China por volta de 800 a.C. e, em 400 a.C. o açúcar cru começou a ser produzido. Sendo comercializado só a partir de 700 d.C. Existem registros sobre sua expansão ocidental, atingindo Índia e Pérsia, que datam de 510 a.C., da expedição militar persa do imperador Dario à Índia.
Inicialmente, a exploração canavieira baseou-se, na a espécie S. officinarum. Porém, o surgimento de doenças e de tecnologia mais avançada exigiram a utilização de novas variedades, as quais foram obtidas pelo cruzamento da S. officinarum com as outras quatro espécies do gênero Saccharum e, posteriormente, através de retrocruzamentos com as ascendentes.
POTENCIAL DA CANA
Há no Brasil, aproximadamente 4,5 milhões de hectares de cana, permitindo a fabricação de energia natural, limpa e renovável. Sendo que, cada tonelada tem potencial energético equivalente ao de 1,2 barril de petróleo.
O maior produtor de cana-de-açúcar do mundo é o Brasil, seguido por Índia e Austrália. Em geral, 55% da cana brasileira vira álcool e 45%, açúcar. A cana é plantada no Centro-Sul e no Norte-Nordeste, possibilitando dois períodos de safra. Assim, há cana durante o ano todo.
A importância da cana de açúcar se encontra na sua múltipla utilização, pois pode ser utilizada "in natura", através de forragem, para alimentação animal, ou como base para a fabricação de aguardente, rapadura, melado, açúcar e álcool.
CLIMA E SOLO
É cultivada entre os paralelos 35º de latitude Norte e Sul do Equador, com melhor desempenho nas regiões quentes. A melhor adaptação se dá quando o clima apresenta duas estações distintas, uma quente e úmida, para proporcionar a germinação, perfilhamento e desenvolvimento vegetativo, seguido de outra fria e seca, para promover a maturação e conseqüente acumulo de sacarose nos colmos.
Os solos ideais são os profundos, bem estruturados, pesados, férteis e com boa capacidade de retenção. Porém, por ser uma planta rústica, em solos arenosos e menos férteis, ela se desenvolve satisfatoriamente. Mas, os solos rasos com camada impermeável superficial ou mal drenados, não são aconselhados.
Em culturas semi-mecanizadas, a declividade máxima está ao redor de 12%; declividades maiores restringem a mecanização. Para culturas mecanizadas, com adoção de colheitadeiras automotrizes, o limite máximo de declividade cai para 8 a 10%.
CULTIVARES
Abaixo alguns cultivares classificados quanto à época da colheita para São Paulo.
- para início de safra (correspondendo de 20 a 25% da área plantada): SP80-3250, SP80-1842, RB76-5418, RB83-5486, RB85-5453 e RB83-5054.
- para meio de safra (60 a 70% de área plantada): SP79-1011, SP80-1816, RB85-5113 e RB85-5536.
- para fim de safra (10 a 15% da área plantada): SP79-1011, SP79-2313, SP79-6192, RB72-454, RB78-5148, RB80-6043 e RB84-5257.
Os cultivares SP79-2313, RB72-454, RB78-5148, RB80-6043 e RB83-5486 caracterizam-se pela baixa exigência em fertilidade de solo.
EXIGÊNCIAS DA CULTURA
A cana necessita de um regime hídrico anual mínimo de 1.200 mm, preferivelmente, concentrados na primavera e verão, com inverno seco e/ou frio bem característico, sem geadas freqüentes. Aceita temperaturas elevadas, porém o solo deve ser profundo e com boa disponibilidade de água, como, por exemplo, os latossolos de textura média, contudo, produz bem em latossolos argilosos e podozolizados.
ÉPOCA DE PLANTIO
Se for utilizado o sistema de ano e meio, a época de plantio é de janeiro a março; se o sistema utilizado for o de ano, a época passa a ser de outubro a novembro e, se for o plantio de outono a época é de abril a junho, porém, nesse caso, deve haver disponibilidade de água e uso de matéria orgânica). Se o destino da cana for a industria, o primeiro sistema é o mais adequado. O segundo e o terceiro são usados para complementar o primeiro. No caso de forrageiras, o segundo é o mais indicado.
PREPARO DO TERRENO
O preparo do solo deve ser profundo, pois, a cana-de-açúcar apresenta raízes profundas e ciclo vegetativo econômico de no mínimo quatro anos e meio.
Para a implantação da cana-de-açúcar numa área, primeiramente realiza-se uma aração profunda, seguida de gradagem. Se o solo for argiloso e houver uma camada impermeável (entre 20 - 50 cm), é necessária a realização de uma subsolagem.
Próximo do plantio realiza-se uma nova gradagem, visando ao acabamento do preparo do terreno e à eliminação de ervas daninhas.
Já para o preparo do solo quando a cana já se encontra instalada, inicialmente faz-se a destruição da soqueira, logo após a colheita. Pode ser feita através de aração rasa (15-20 cm) nas linhas de cana, seguidas de gradagem ou através de gradagem pesada ou enxada rotativa. Se o solo estiver compactado realiza-se a subsolagem.
Perto do plantio realiza-se uma aração profunda (25-30 cm), através de arado ou grade pesada. E, caso seja necessário, novas gradagens, para manter o terreno destorroado e apto ao plantio.
CALAGEM
A aplicação de calcário deve ser feita para elevar a saturação por bases a 60%. Se o teor de magnésio for baixo (inferior a 5 mmolc/dm3), dar preferência ao calcário dolomítico.
A época para aplicação do calcário vai a partir do último corte da cana, até antes da última gradagem de preparo do terreno. O calcário deve ser aplicado uniformente sobre o solo.
ADUBAÇÃO
Para a cana-planta, o fertilizante orgânico deverá ser aplicado no fundo do sulco de plantio, após a sua abertura. Aplicar também composto.
Deve-se aplicar 30 a 60 kg/ha de N, em cobertura, durante o mês de abril; caso o solo seja arenoso é importante dividir a cobertura, aplicando metade do N em abril e a outra metade em setembro - outubro.
Adubações pesadas de K devem ser parceladas, colocando no sulco de plantio até 100 kg/ha e o restante juntamente com o N em cobertura, durante o mês de abril.
Para soqueira, a adubação é realizada durante os primeiros tratos culturais, nos dois lados da linha de cana; quando aplicada superficialmente, deve ser bem misturada com a terra.
Como fertilizante pode ser utilizada a vinhaça. A quantidade ideal por área, depende da composição química da mesma e da necessidade nutricional da plantação. Pode ser aplicada por infiltração, por veículos ou aspersão.
Outro resíduo da indústria canavieira que pode ser utilizado é a torta de filtro. A sua aplicação pode ser realizada em área total (80-100 t/ha), em pré-plantio, no sulco de plantio (15-30 t/ha) ou nas entrelinhas (40-50 t/ha).
PLANTIO
O plantio, na região Centro-Sul, pode ser realizado em setembro-outubro ou de janeiro a março. A época mais adequada é de janeiro a março, através do plantio da cana de "ano e meio", este, permite um melhor aproveitamento do terreno com plantio de outras culturas.
O espaçamento entre os sulcos varia de 1 a 1,5. O primeiro é mais indicado para solos arenosos o segundo para solos férteis, a profundidade é cerca de 20 a 30 cm e a largura é devido à abertura das asas do sulcador num ângulo de 45º.
Os colmos com 10 a 12 meses de idade são postos no fundo do sulco, sempre cruzando a ponta do colmo anterior com o pé do seguinte e picados, com podão, em toletes de aproximadamente de três gemas.
A densidade do plantio é medida através da quantidade de gemas por metro de sulco, devendo ser aproximadamente 12. Em seguida, cobre-se os toletes com 7 cm de terra, levemente compactada.
Para diminuir a erosão o plantio deve ser realizado em nível, com sistema de terraceamento de acordo com o tipo de solo e declive, e rotação de culturas. Esta pode ser feita por meio do plantio de uma cultura anual, geralmente soja ou amendoim, no período chuvoso, plantando-se a cana de março a abril, após a colheita da cultura anual. Utiliza-se também o sistema de "meiose", que para a produção de mudas no primeiro ano, intercaladas com faixas de culturas anuais (soja ou amendoim), com normalmente 5 ou 6 linhas de cana. As mudas que forem produzidas serão utilizadas para completar o plantio de cana em março e abril, sulcando direto a área, após a colheita da cultura.
TRATOS CULTURAIS
Como tratos culturais temos o controle das ervas daninhas, a adubação em cobertura e o controle das doenças.
O período crítico da cultura para as ervas daninhas vai da emergência aos 90 dias de idade. Um método de controle é através da combinação de capinas mecânicas e manuais. Primeiramente, logo após o crescimento do mato, realiza-se o controle mecânico, através de cultivadores de disco ou de enxadas junto às entrelinhas, sendo, seguido, de capinas manuais nas linhas de plantio, evitando, assim, o assoreamento do sulco. Essa operação é repetida geralmente 3 vezes.
Já para as soqueiras deve-se realizar o enleiramento do "paliço", o controle das plantas invasoras, permeabilizar o solo, adubar e controlar as doenças e pragas.
Para rotação de culturas pode-se utilizar a soja precoce e o amendoim cultivados de outubro a fevereiro, porém, também pode ser feita com adubos verdes, tais como, Crotalaria juncea, mucuna-preta e guandu plantados em setembro e outubro e incorporados em janeiro e fevereiro.
PRAGAS
A cultura é atacada por muitas pragas, aproximadamente 80, no entanto, são poucas que causam danos à planta. Das pragas de solo, as que mais causam prejuízos são os nematóides, o besouro Migdolus e os cupins.
Nematóides:
Destroem o sistema radicular e provocam perdas na produtividade, cerca de 15 a 20%. Causando também, a diminuição do número de colmos.
Como controle, pode ser usado o varietal, através do uso de variedades resistentes ou tolerantes. Esta é uma forma econômica e prática de controle. Mas, geralmente, plantas com resistência às doenças e pragas, que exigem solos com baixa fertilidade, isto é, que apresentam rusticidade, são plantas que não têm alta produtividade.
Além disso, deve-se determinar quais as espécies infestantes da área, já que certa variedade pode apresentar resistência à determinadas espécies e à outras não.
Outro método de controle é o preventivo, através de adubos verdes e rotação de culturas (no final do ciclo econômico da cana-de-açúcar).
Para a identificação da espécie de nematóide, na coleta do material deve-se retirar raízes vivas, que apresentem sua umidade, e a do solo, naturais; a coleta deve ser realizada de 0 a 25 cm; os pontos de coleta deverão anteriormente serem estabelecidos, na forma de zigue-zague; a coleta deve ser feita de acordo com a variedade, a idade da planta e o tipo de solo; realiza-se a mistura das subamostras (de 5 a 10 por hectare) em uma amostra composta, com no mínimo 1 litro de solo e 50 g de raízes; as amostras devem ser embaladas e identificadas para serem levadas ao laboratório.
Cupins:
Os cupins atacam os toletes e destroem o tecido parenquimatoso e as gemas pela penetração nas extremidades, provocando falhas na plantação. Quando o ataque é nas brotações, o dano ocorre no sistema radicular, causando debilidade da nova planta. Em seguida do corte, e após a queima do talhão, o ataque ocorre na soqueira através da incisão dos tocos e conseqüente destruição das raízes e rizomas.
Porém, em plantas adultas, a penetração é feita nos órgãos subterrâneos secos, atingindo até os primeiros internódios. Se a cana cortada for largada no campo o ataque também ocorre.
Um método de controle é a destruição dos ninhos e dos restos culturais, por um profundo preparo do solo.
Os danos causados na cultura podem ser da ordem de 10 toneladas por hectare por ano.
Na cana há mais de 12 espécies de cupins já identificadas, as que provocam maiores danos são: Hetterotermes tenuis, Hetterotermes longiceps, Procornitermes triacifer, Neocapritermes opacus e Neocapritermes parcus.
Besouro Migdolus:
Ataca e destrói o sistema radicular podendo causar danos de poucas toneladas por hectare até, geralmente, perda total da lavoura.
Os ataques são maiores nas condições de seca.
O controle é difícil porque se desconhece o seu ciclo biológico, inviabilizando prever o seu aparecimento em uma determinada área.
Tanto na fase larval como na fase adulta, o inseto passa grande parte do seu ciclo dentro do solo, numa profundidade de 2 a 5 metros.
Porém, ele apresenta uma baixa capacidade reprodutiva, aproximadamente, 30 ovos por fêmea; as larvas são frágeis quanto à interferência mecânica; os machos sobrevivem no máximo 4 dias; a disseminação é restrita porque nas fêmeas as asas não são funcionais.
Pode ser mecânico e está ligado à reconstrução do canavial atacado. Para isso, deve-se considerar a época de execução do trabalho e os implementos utilizados.
Nos meses mais frios e secos ocorre a maior concentração populacional do besouro na camada até 30 cm do solo, isto é, de março a agosto. Assim, para o controle mecânico, essa é a época mais favorável.
Quando se utiliza a grade aradora uma vez o nível de mortalidade chega aos 40%. Porém, se utilizar do eliminador de soqueiras (modelo Copersucar), o nível de mortalidade chega a 80%.Outros trabalhos executados em condições de plantio comercial de cana-de-açúcar confirmaram a eficiência do destruidor de soqueira no controle das larvas do Migdolus.
Caso se opte por controle cultural, deve-se fazer uso de armadilhas com feromônio sintético, para capturar e matar os machos do besouro. Além disso, pode-se monitorar um amplo número de propriedades, possibilitando prever o ataque das larvas nas raízes.
Broca-da-cana:
A Diatraea saccharalis é a praga mais considerável em importância no Estado de São Paulo. A fase de adulto se caracteriza por uma mariposa de hábitos noturnos, que faz a postura na parte dorsal das folhas. Quando nascem, as lagartas descem pela folha e entram no colmo, perfurando-o na região nodal. Dentro do colmo cavam galerias, onde permanecem até o estádio adulto.
Como danos causados pelo praga podemos citar: a perda de peso, pois as plantas atacadas se desenvolvem inadequadamente, morte de algumas plantas, quebra do colmo na região da galeria por agentes mecânicos (vento), redução da quantidade de caldo e, principalmente, penetração de agentes patogênicos como o Fusarium moniliforme e Colletotrichum falcatum, responsáveis pela podridão-de-fusarium e a podridão-vermelha, que ocasionam a inversão e a perda de sacarose no colmo.
A forma de controle mais eficiente é o controle biológico, através do uso de inimigos naturais tais como: o microhimenóptero Apanteles flavipes e os dípteros Metagonystilum minense e Paratheresia claripalpis.
Além disso, pode-se adotar como medidas culturais o uso de variedades resistentes, corte da cana o mais rente possível do solo; evitar o plantio de plantas hospedeiras (arroz, milho, sorgo e outras gramíneas) nas proximidades do canavial e queimadas desnecessárias, principalmente o "paliço".
Elasmo:
A cana-de-açúcar é atacada pelo Elasmopalpus lignosellus durante a fase inicial da cultura. A postura é feita na parte aérea da cana pelo adulto. Quando as larvas nascem alimentam-se primeiramente de folhas, depois vão em direção ao solo e, quando na altura do colo, perfuram o broto, abrindo galerias no seu interior. Na entrada do túnel, elas constroem um abrigo com fios de seda, terra e detritos permanecendo ali a maior parte do dia, e de noite saem para atacar outras plantas jovens próximas.
Quando ocorre a perfuração basal na planta nova isso causa a morte da gema apical e, conseqüente amarelecimento e seca das folhas centrais, surgindo o conhecido coração-morto.
Geralmente a planta atacada morre, gerando falhas no estande; porém, a planta pode se recuperar e emitir perfilhos.
Gorgulho-rajado ou besouro-da-cana:
O gorgulho-rajado (Sphenophorus Levis), é uma praga recente da cana-de-açúcar, é semelhante ao bicudo do algodão, porém, não tem mancha nos élitros, tem hábitos noturnos, apresenta pouca agilidade e simula-se de morto quando atacado.
Os ovos são colocados ao nível do solo ou nos rizomas.
As larvas apresentam coloração branca, têm cabeça e corpo volumosos, são ápodas, de hábitos subterrâneos e alta suscetibilidade ao calor e à desidratação. Quando penetram nos rizomas constroem galerias irregulares e lá permanecem durante o início do estádio adulto. Ao bloquearem a parte inferior das plantas, essas apresentam amarelecimento e, em seguida morrem deixando falhas no estande.
O controle pode ser o mecânico durante a reforma do talhão, por meio de uma aração nas linhas de plantio, revolvendo os restos culturais e expondo as larvas à ação dos raios solares e inimigos naturais. Aproximadamente 2 a 3 semanas após, a operação é completada através do uso da enxada rotativa para triturar e acelerar a seca do material. Duas semanas depois, faz-se o preparo normal do solo.
DOENÇAS
Mosaico:
É uma doença causada por um vírus cuja disseminação ocorre por meio do plantio de tolete contaminado e por pulgões. É uma doença sistêmica.
O sintoma ocorre nas folhas novas do cartucho, através de pequenas estrias cloróticas no limbo foliar, causando uma alternância entre o verde normal da folha e o verde claro das estrias.
O prejuízo ocorre por meio da baixa produtividade das lavouras devido ao desenvolvimento inadequado das plantas e baixo perfilhamento das touceiras e, depende da resistência varietal, grau de infecção e virulência do agente etiológico.
O controle é realizado pela adoção de variedades resistentes, plantio de mudas sadias e práticas de "roguing".
Ferrugem:
Para evitar que a lavoura seja atacada pela a ferrugem deve-se utilizar variedades resistentes e manejo de corte para variedades com resistência intermediária.
Carvão e Amarelinho:
Fazer uso de variedades resistentes ou tolerantes e "roguing".
Escaldadura:
É causada pela bactéria Xantomonas albilineans, sendo uma doença sistêmica e transmitida pelo plantio de mudas doentes ou algum instrumento de corte contaminado.
Ocasiona duas estrias cloróticas e finas nas folhas e bainhas, chegando a surgir manchas cloróticas no limbo foliar e brotações laterais de baixo para cima no colmo doente. Nas folhas, os sintomas as tornam anormais, duras, subdesenvolvidas e eretas. Quando o colmo é cortado longitudinalmente, aparecem pontuações avermelhadas na região do nó.
Os danos estão na baixa germinação das mudas, na morte dos rebentos ou de toda a touceira, desenvolvimento inadequado das plantas atacadas, entrenós curtos e reduzido rendimento em sacarose. Pode ocorrer a seca e a morte das plantas.
O controle deve ser varietal, através do uso de variedades resistentes, plantio de mudas sadias, "roguing" e pela limpeza dos matérias utilizados nos cortes.
Raquitismo-das-soqueiras:
Não apresenta sintomas típicos que facilitem seu diagnóstico. Acredita-se ser causada por uma bactéria. Dissemina-se pelo plantio de muda doente pelo uso de instrumentos para corte infectados.
Geralmente as mudas apresentam germinação lenta e desuniforme, e os grandes prejuízos verificam-se nas soqueiras com baixo perfilhamento, internódios curtos, com subdesenvolvimento geral e desuniforme na lavoura.
O controle utilizado é o tratamento térmico das mudas a 50,5ºC durante duas horas e a limpeza dos instrumentos utilizados para corte.
Podridão-abacaxi:
O agente patogênico é o fungo Thielaviopsis paradoxa. Ataca os toletes, provocando prejuízos tanto na cana colhida quanto naquela deixada no campo. O fungo penetra pela extremidade cortada ou por ferimentos na casca.
O tolete que está contaminado começa com uma coloração amarelo-pardacenta, passando à negra. Na maioria das vezes ocorre a destruição completa do tecido parenquimatoso. Assim, os toletes doentes não germinam, ocasionando falhas no estande, chegando a ter prejuízo total.
A doença recebe esse nome porque pode ocorrer exalação de odor semelhante ao de abacaxi maduro, quando atacada.
O atraso na germinação dos toletes, que pode ser motivado tanto por seca quanto por baixa temperatura, ocasiona a doença.
Portanto, para controle deve-se preparar bem o solo, colocar o tolete na profundidade correta e plantar na época adequada.
COLHEITA
A colheita geralmente começa em maio, podendo iniciar-se em abril, durando até novembro (quando a planta atinge o ponto de maturação).
Maturação:
Para determinação do ponto de maturação no campo, utiliza-se o refratômetro de campo e, depois é analisado no laboratório. Para uma boa renda, deve haver uma alta produtividade e um elevado teor de sacarose na época da colheita.
Através do refratômetro consegue-se a porcentagem de sólidos solúveis do caldo (Brix), este, está correlacionado ao teor de sacarose da cana.
A maturação da cana-de-açúcar ocorre da base para o ápice do colmo. Assim, a cana apresenta diferentes valores no seu comprimento. A maneira mais adequada para calcular a maturação por meio do refratômetro de campo é através do Índice de Maturação (IM):
IM=Brix da ponta do colmo
Brix da base do colmo
A cana-de-açúcar apresenta estes estágios de maturação:
IM: / Estágio de Maturação:
< 0,60 / cana verde
0,60 - 0,85 / cana em maturação
0,85 - 1,00 / cana madura
> 1,00 / cana em declínio de maturação
Porém, as análises laboratoriais fornecem valores mais exatos que o refratômetro.
Corte da Cana:
Pode ser realizado de maneira manual, apresentando como rendimento médio de 5 a 6 toneladas/homem/dia, ou através de colheitadoras. As colheitadoras podem ser para cana inteira, com rendimento operacional médio em condições normais de 20 t/hora, ou colheitadeiras para cana picada (automotrizes), com rendimento de 15 a 20 t/hora.
A cana deve ser transportada até o setor industrial o mais rápido possível.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- IAC - Boletim Técnico 100, 1996.
- IAC - Instruções Agrícolas para o Estado de São Paulo - Boletim 200 - 6A edição, 1995.
- http://www.unica.com.br (acesso 04/08/04)
- http://www.agrobyte.com.br/cana.htm (acesso em 04/08/04)






























