

Para um animal estar dentro das normas de produção orgânica, sabemos que o produtor deverá cumprir as exigências estabelecidas na legislação dos orgânicos. A não utilização de antibióticos ou qualquer tipo de hormônio é uma delas, porém as vacinas exigidas em lei são obrigatórias e devem ser respeitadas.
Alguns requisitos além desses também devem ser observados, como a preocupação com o conforto do animal, a preservação do comportamento natural da espécie, destacando o movimento, as áreas de sombreamento e acesso facilitado às fontes de água, além da forma de abate, que deverá ser praticada com o mínimo de sofrimento possível. O espaço onde eles transitam deve estar livre da aplicação de agrotóxicos e/ou adubos minerais sintéticos.
Diante desses rápidos esclarecimentos, olhamos para o Brasil e percebemos que o nosso sistema de produção animal orgânico ainda tem grandes desafios estruturais.
Temos poucos projetos certificados e outros poucos encaminhados para certificação. Comparado com projetos certificados de produção vegetal, ainda estamos engatinhando. E por que isso ocorre?
Na Argentina, dados oficiais apresentam que a produção animal orgânica é muito maior do que a nossa. E a Austrália? Muito mais evoluída. Qual a explicação para nosso baixo desempenho na produção animal, considerando que somos um grande produtor de orgânicos?
O Brasil ainda tem pouca estruturação da cadeia produtiva de orgânico. Normalmente, quando uma nação inicia os projetos orgânicos, começa pela produção vegetal. A explicação é simples: na produção animal, a base de alimentação da criação é vegetal orgânico, portanto prioritariamente a produção vegetal precisa estar desenvolvida para a estruturação do mercado da criação animal orgânica.
Existem exceções: os dois países supra citados têm, em sua formação geográfica, grandes campos naturais, o que permite a criação de ruminantes orgânicos com poucos ajustes na produção. No caso brasileiro, com a exceção do Pantanal, a produção de ruminantes precisa ser ajustada de forma mais complexa. E, para os monogástricos, como aves, é necessário ter fornecimento constante de grãos. Porém, a produção de grãos orgânicos é praticamente toda exportada. Países desenvolvidos têm todo setor de produção animal orgânicos estruturada e, naquilo que eles não têm condições de produzir, importam de outros países. A exemplo, soja e milho orgânicos.
Como a exportação tende a ser interessante para os produtores, o preço desses elementos básicos para a produção animal torna-se cara, desestimulando a produção animal.
Vejo que, a exemplo de outros países, precisamos estimular o crescimento da produção de vegetais orgânicos, que servem de base para a produção animal. Somente com o crescimento desses produtos o mercado de produção animal orgânico terá condições de se desenvolver.
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